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Saúde

Paraplégico de Sidrolândia deve ser o 2º de MS a receber molécula polilaminina

Daniel Costa sofreu um acidente de trabalho em dezembro do ano passado que o deixou sem os movimentos das pernas

 

Felipe Machado e Daianny Albuquerque/Correio do Estado

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Lesões medulares como a paraplegia e a tetraplegia, em muito casos, significavam a perda dos movimentos dos membros para o resto da vida. Porém, os poucos pacientes que já receberam a molécula polilaminina, desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), têm obtido avanços notórios.

Daniel Costa, que completa 32 anos neste sábado e mora em um assentamento em Sidrolândia, quer ser o segundo em Mato Grosso do Sul a passar pela cirurgia.
Daniel com a filha pequena no colo, um mês após o acidenteDaniel com a filha pequena no colo, um mês após o acidente – Foto: Arquivo pessoal

De acordo com o advogado Gabriel Traven Nascimento, que cuida do processo em a cirurgia de Daniel é pedida, na semana passada, a Justiça deferiu o pedido de tutela de urgência para que o procedimento seja realizado.

Após conseguir confirmar o hospital onde será realizado o procedimento, o advogado conta que eles aguardam apenas a definição da equipe da UFRJ para que a data da cirurgia seja marcada.

“A cirurgia será no Proncor, estou só esperando confirmação da equipe do Rio de Janeiro, mas está tudo dentro dos conformes, como foi a do Luiz [Otávio Santos Nunez]. O ideal é que aconteça antes do dia 9 de março”, afirma o advogado.

A data marca três meses do acidente de Daniel, que ocorreu em 9 de dezembro de 2025, enquanto ele trabalhava.

Daniel é montador de silos (onde são armazenados soja e milho) e contou à reportagem do Correio do Estado que uma parte do equipamento usado no serviço foi amarrada errada e caiu em cima dele.

“Eu estava trabalhando e fui fazer a retirada de um equipamento que nós usamos no nosso dia a dia, chamado de tripé, que tem uma talha na ponta. Ela foi amarrada errada e caiu em cima de mim”, detalha ao Correio do Estado.

O acidente ocorreu em Comodoro (MT), mas a empresa em que ele trabalhava alugou um avião e conseguiu levá-lo até Dourados, onde fez todos os procedimentos cirúrgicos até o momento.

Daniel sofreu uma lesão medular e perdeu os movimentos da perna (paraplegia), um pouco diferente do caso do jovem Luiz, que foi o primeiro a receber a molécula polilaminina. Apesar da lesão diferente, ele está apto a receber a molécula por também se tratar de um tipo de lesão medular grave.

Daniel mora em um assentamento chamado Nazareth, que fica a 16 quilômetros de Anhanduí e pertence a Sidrolândia. Hoje, enquanto aguarda a definição sobre a cirurgia, está em casa.

Para o advogado, o caso está 90% encaminhado, já que recebeu decisão favorável da Justiça e conseguiu o hospital. A indefinição da data é apenas pela equipe do Rio de Janeiro, que desde a descoberta da molécula tem recebido milhares de pedidos de cirurgia.

“Tem mais de 20 mil pedidos no laboratório”, comenta o advogado Gabriel Nascimento.

EXPECTATIVA

Daniel conheceu a polilaminina por meio da internet e de amigos, que mandavam as reportagens de pessoas na mesma situação e tiveram êxito após passarem pela cirurgia.

Foi então que ele decidiu entrar em contato com o advogado Gabriel Traven Nascimento, que já havia cuidado do caso de Luiz Otávio, para saber se conseguiria ser mais um a passar pelo procedimento.

Agora, com a decisão judicial favorável, Daniel fala sobre a expectativa de ter a data do procedimento marcada e de seus resultados.

“As expectativas são as melhores. Olhando as reportagens de pessoas que estão se recuperando, querendo ou não, é uma luz que pessoas como eu não tiveram”, conta.

OUTROS INTERESSADOS

Após o caso de Luiz Otávio Santos Nunez, de 19 anos, que foi o primeiro de Mato Grosso do Sul a fazer o procedimento, o advogado já foi procurado por várias pessoas com lesão medular grave.

Segundo ele, além de Daniel, o caso de uma idosa de 65 anos de Mato Grosso do Sul também já recebeu decisão favorável para a cirurgia e outros três casos de fora do Estado estão em espera.

“Eu tenho um outro caso de um paciente do Rio de Janeiro, mas é um caso com mais tempo, são sete meses de lesão, e outros dois casos com mais ou menos esse tempo de lesão que estão na espera desse rapaz do Rio de Janeiro. Se der certo o dele, vou ingressar com o pedido para esses outros dois”, relata o advogado, que contou que esses outros pedidos também são de pessoas de outros estados.
AVANÇO

Matéria do Correio do Estado mostrou que após o procedimento com a molécula polilaminina, Luiz Otávio agora já recuperou movimentos da mão e faz coisas que antes não conseguia, como comer um pedaço de bolo sozinho.

Em outubro do ano passado, o jovem foi atingido por um tiro acidental no pescoço, que causou uma lesão medular grave que o deixou sem o movimento dos membros inferiores e superiores.

 

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