Vale do Ivinhema Agora
Região

Calor extremo pode ocupar quase um quarto do ano no Pantanal

Pesquisa indica ondas mais frequentes, longas e concentradas na primavera até 2060

 

Por Kamila Alcântara | Campo Grande News

O calor extremo pode deixar de ser exceção e ocupar quase um quarto do ano no Pantanal até 2060. A projeção é de um estudo publicado no Bulletin of Atmospheric Science and Technology, que aponta mudança no regime climático da maior planície alagável tropical do mundo.

Estudo publicado no Bulletin of Atmospheric Science and Technology aponta que o calor extremo pode ocupar até 28% do ano no Pantanal até 2060. A pesquisa comparou dados climáticos de 1991 a 2020 com projeções para 2030 a 2060 e concluiu que ondas de calor ficarão mais frequentes e longas, com pico em outubro. Os autores alertam para um novo regime climático que pode agravar riscos à biodiversidade e ao manejo do fogo.

Segundo os autores, dias considerados muito quentes, que no período de referência representavam cerca de 10% do calendário, podem passar a ocupar entre 23% e 28% do ano, dependendo do cenário de emissões analisado.

O artigo, assinado por João Batista Ferreira Neto, Shi Shen, Raquel de Cássia Ramos e Gabriel Pereira, comparou a climatologia de 1991 a 2020 com projeções para o período de 2030 a 2060.

A pesquisa avaliou a frequência, a duração e a distribuição das ondas de calor no Pantanal, considerando três cenários de emissões de gases de efeito estufa. A conclusão central é que eventos antes vistos como raros tendem a se tornar parte regular do clima do bioma.

No texto, os pesquisadores afirmam que “eventos de calor atualmente considerados raros ou extremos se tornarão uma característica regular do clima futuro”. Em outro trecho, destacam que essa “normalização” dos extremos representa a principal marca da intensificação do estresse térmico que o ecossistema pantaneiro deve enfrentar nas próximas décadas.

O estudo também indica que a mudança não se resume a dias mais quentes. As ondas de calor devem ficar mais frequentes, mais longas e mais concentradas na primavera, com destaque para outubro, apontado como o mês de maior incidência nas projeções.

Para os autores, o Pantanal caminha para um “novo regime climático”, marcado pela expansão da estação quente e seca, fator que pode agravar riscos ligados à biodiversidade e ao manejo do fogo.

Related posts

Prefeitura de Jateí aditiva contrato em 100% com a Lamper, e valor ultrapassa meio milhão de reais

Anaurelino Ramos

MPMS reforça integração da rede de proteção em visita ao Conselho Tutelar de Deodápolis

Anaurelino Ramos

Câmara quer esclarecimentos sobre cobrança da Taxa de Coleta de Lixo

Anaurelino Ramos

Deixe um Comentário