Agentes do Gaeco foram até a casa do ex-deputado, mas não o encontraram
A defesa de Roberto Razuk Filho, o Neno Razuk, informou que caberá exclusivamente ao ex-deputado decidir se irá se entregar às autoridades. A prisão dele foi decretada esta semana pela Justiça. Informações são de que o pedido de prisão foi feito no dia 6 de julho.
Neno Razuk é apontado pelo Gaeco como o líder do jogo do bicho em Mato Grosso do Sul. Ele perdeu o mandato de deputado estadual após julgamento da Justiça Eleitoral por fraudes em outras candidaturas do partido. Após a recontagem dos votos, Neno perdeu o mandato em 21 de maio.
A reportagem apurou que agentes do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) bateram à porta da casa de Neno na terça-feira (7).
No dia seguinte, um dos advogados – e sobrinho – de Neno, Roberto Razuk Neto, foi até a sede do Gaeco tentar informações sobre o mandado de prisão.
Então, a defesa protocolou pedido para ter acesso ao mandado na quarta-feira. No entanto, os defensores do ex-parlamentar confirmaram ao Jornal Midiamax que ainda não tiveram a liberação.
Para a defesa, é crucial ter acesso ao pedido de prisão para elaborar um pedido de revogação de prisão preventiva, por exemplo, antes mesmo da prisão. “Isso dificulta a atuação da defesa”, lamentou Razuk.
Já o advogado Ricardo Souza Pereira disse que “a decisão de se entregar compete a ele”, lamentando também a demora em acessar os autos: “isso atrapalha a defesa e muito”.
A demora ocorre pois o juiz que decretou a prisão, José Henrique Káster Franco, da 4ª Vara Criminal de Campo Grande, saiu de férias. Agora, o pedido para liberar o acesso aos autos caberá a um juiz substituto.
A reportagem procurou o Gaeco para se pronunciar sobre as buscas ao ex-deputado e se ele já é considerado foragido, já que não foi localizado pelas autoridades. No entanto, o MPMS, responsável pelo Gaeco, informou que não irá detalhar o processo em razão do sigilo. “Em razão do sigilo processual, não é possível divulgar informações adicionais neste momento. Assim que houver novidades passíveis de divulgação, elas serão informadas por meio dos canais oficiais da instituição”.
Líder do jogo do bicho

O MPMS, por meio do Gaeco, ofereceu denúncia contra o deputado estadual Neno Razuk (PL); seu pai, o ex-deputado Roberto Razuk; e seus irmãos, Jorge Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk.
A peça acusatória aponta o clã como a cúpula de uma organização criminosa armada dedicada à exploração ilegal de jogos de azar, utilizando-se de corrupção, lavagem de dinheiro e roubos para assegurar o monopólio da contravenção no Estado.
Ao todo, 20 pessoas foram denunciadas. O MPMS requer, além da condenação pelos crimes imputados, o pagamento de R$ 36 milhões a título de reparação de danos, conforme o artigo 7º, inciso I, da Lei de Lavagem de Dinheiro.
De acordo com o documento, a investigação identificou que, após a desarticulação da organização criminosa liderada pela família Name (alvo da Operação Omertà), o grupo liderado pelos Razuk iniciou uma ofensiva para preencher o vácuo de poder e assumir o “monopólio do jogo do bicho” em Campo Grande e regiões estratégicas.
A denúncia detalha que a organização agia de forma violenta e estruturada. O Gaeco aponta que o grupo não apenas explorava a atividade ilícita, mas utilizava um aparato armado para cometer “roubos majorados” contra grupos rivais, visando enfraquecer a concorrência e tomar pontos de aposta à força.
Em dezembro do ano passado, o TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) condenou Neno a mais de 15 anos de prisão. Ao deputado, foram atribuídos os crimes de formação de organização criminosa armada, exploração de jogos do bicho e roubos. “Nenhum desses delitos tem a mais remota ligação com o exercício das atribuições constitucionais esperadas e exigíveis de um deputado estadual”, destacou o magistrado.
As informações são de que o pai de Neno, Roberto Razuk, que cumpre prisão domiciliar, está com a saúde debilitada e estaria internado na UTI.
Os irmãos de Neno, Jorge Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk, estão presos. Além deles, o advogado Rhiad Abdulahad também está preso. Eles são acusados de integrarem a cúpula da organização criminosa que explorava o jogo do bicho.

