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Polícia Política

Juiz cita suspeita de fuga do país ao determinar inclusão de Neno Razuk na Interpol

Caso é submetido para avaliação na França antes de incluir nome de ex-deputado na difusão vermelha da Interpol
Gabriel Maymone

O Diário da Justiça publicou nesta terça-feira (28) a decisão que determinou a inclusão do nome do ex-deputado estadual Roberto Razuk Filho, o Neno Razuk, na difusão vermelha da Interpol (a Organização Internacional de Polícia Criminal).

Em trecho da decisão, o juízo da 4ª Vara Criminal de Competência Residual confirma haver “indicativos de que supostamente se encontra fora do país“.

Conforme já adiantado pelo Jornal Midiamax, a decisão publicada nesta terça-feira determina que a PF (Polícia Federal) inclua o nome do ex-parlamentar na difusão vermelha da Interpol. “Oficie-se ao Superintendente Regional da Polícia Federal no Estado de Mato Grosso do Sul para que adote as providências necessárias junto à INTERPOL visando à inclusão do mandado de prisão preventiva expedido em desfavor de Roberto Razuk Filho na Difusão Vermelha“.

O pedido de prisão preventiva consta em ação penal contra Neno por “promoção, constituição, financiamento ou integração de Organização Criminosa”.

A reportagem acionou a defesa de Neno, por meio do advogado Ricardo Souza Pereira, sobre os indícios de estar fora do país. Não houve manifestação até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para posicionamento.

Anteriormente, o advogado havia dito à reportagem que Neno iria aguardar o julgamento de um HC (habeas corpus) para, depois, decidir se iria se entregar às autoridades.

O HC foi negado liminarmente e sua análise pela 1ª Câmara Criminal deve ocorrer somente em setembro.

O que acontece agora?

A Difusão Vermelha (Red Notice, em inglês) é o alerta de maior gravidade emitido pela Interpol.

Para o nome de Neno ser incluído, ainda resta a aprovação pela sede da Interpol, em Lyon, na França, já que a organização é proibida de intervir em assuntos de caráter político, militar, religioso ou racial.

Depois que o nome do ex-parlamentar for listado, uma notificação é emitida em 196 países, que terão alerta com nome, foto, dados de passaporte e impressões digitais de Neno, que integrará os sistemas de imigração desses países. Se ele tentar passar por um controle de aeroporto, porto ou fronteira terrestre, o sistema emitirá um alerta imediato para os agentes locais.

Com isso, as autoridades locais podem iniciar os procedimentos para a prisão e posterior extradição do indivíduo ao país.

Neno foi denunciado por liderar o jogo do bicho em MS

O caso é um desdobramento da Operação Successione, deflagrada em dezembro de 2023 pelo Gaeco/MPMS para desarticular um grupo criminoso que explorava o jogo do bicho na Capital.

Na primeira fase, 10 pessoas foram alvo. Entre elas, o então deputado estadual. A apuração começou após roubos de malotes de grupos rivais. Foram registrados 3 BOs e, em dois deles, vítimas reconheceram um sargento da PMMS como autor.

Na ocasião, Neno negou participação no esquema: “Tenho certeza de que não tenho nenhum envolvimento com essa atividade. Acordei com essa surpresa. Tenho certeza de que, quando essa investigação acabar, vai ser mostrado que não tenho nenhum envolvimento”, afirmou.

Para o Gaeco, a organização agia com violência para dominar o mercado, mesmo após a apreensão de 700 máquinas em um QG no bairro Monte Castelo, em outubro de 2023.

Segundo o MP, o grupo contava com policiais militares da reserva e um ex-PM, que usavam a condição e o porte de arma para impor o comando do jogo ilegal em Campo Grande.

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