Conforme o levantamento, a classificação está presente em 20 das 27 unidades da Federação

Composto majoritariamente por planaltos e planícies, Mato Grosso do Sul ganhou ‘montanhas’ recentemente. Apesar de as formações já pertencerem ao Estado — e estarem presentes em todo o Brasil — foi apenas na última quinta-feira (29) que se tornaram oficiais em um mapa de relevo de escala nacional.
Disponibilizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a primeira aproximação do “Mapa dos Macrocompartimentos de Relevo do Brasil” foi elaborada a partir de discussões do SBCR (Sistema Brasileiro de Classificação de Relevo). Além de incluir formalmente a classe “Montanhas”, a publicação substitui o termo “Depressões” por “Superfícies Rebaixadas”.
O levantamento revela uma área montanhosa de 799,1 km² em MS, correspondente a 0,2% do território estadual. Assim, a classe representa uma das menores do Estado, junto ao “Corpo d’Água Continental” (1%) e às “Superfícies Rebaixadas” (11%).
Os “Planaltos”, por outro lado, somam a maior área sul-mato-grossense, com 211.309,7 km² (59,2%). Na sequência, aparecem as “Planícies”: 101.919 km² e 28,5% do território. A classificação “Tabuleiros” foi a única não registrada.
Montanhas em representação nacional
Pela primeira vez, a classe “Montanhas” aparece em um mapa de relevo de escala nacional a partir de critérios morfológicos, de amplitude altimétrica e declividade. Conforme o levantamento, a classe está presente em 20 das 27 unidades da Federação, incluindo Mato Grosso do Sul.
Minas Gerais concentra a maior extensão territorial dessa classe, com 37,3% do total mapeado, seguido por Bahia (15,8%), Rio de Janeiro (9,0%) e São Paulo (8,7%). Entre as grandes regiões, o Sudeste concentra a maior extensão contínua de montanhas, que representam 10,7% de seu território.
Além disso, de acordo com o IBGE, o Centro-Oeste é marcado principalmente por planaltos e planícies, influenciado também pela presença da planície pantaneira. O levantamento apresenta Mato Grosso do Sul como um dos estados com maiores áreas de planície do Brasil, chegando a 14,3% do total nacional.
Abordagens inéditas
O instituto ressalta que o novo mapeamento introduz abordagens e critérios conceituais e metodológicos inéditos na história da cartografia temática institucional do IBGE. Além de oferecer uma representação atualizada das principais formas de relevo do território nacional, o produto poderá servir de referência para pesquisas, novos mapeamentos e atividades de ensino.
O trabalho resulta de uma construção coletiva entre o IBGE, o SGB (Serviço Geológico do Brasil), a UGB (União da Geomorfologia Brasileira) e pesquisadores de diversas universidades do país. O Mapa dos Macrocompartimentos de Relevo do Brasil e sua Nota Metodológica estão disponíveis no Portal do IBGE.


