Vale do Ivinhema Agora
Campo Economia Imagens do Dia a Dia

Suspensão do Plano Safra pode prejudicar milho safrinha em MS

O governo aponta a taxa Selic alta e a não aprovação da Lei Orçamentária 2025 como justificativas

Súzan Benites/Correio do Estado

 

Lavoura de milhoLavoura de milho – Gerson Oliveira / Correio do Estado

O Ministério da Fazenda determinou a suspensão de novas contratações de financiamentos rurais subvencionados do Plano Safra 2024/2025 pelo Tesouro Nacional a partir de hoje. O motivo da interrupção é a ausência de recursos para dar andamento às contratações.

Com isso, a decisão pode comprometer a safra de milho 2024/2025 em Mato Grosso do Sul, conforme informou ao Correio do Estado o titular da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck.

A única exceção são os créditos de custeio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), voltados para a agricultura familiar. A decisão foi comunicada ontem às 25 instituições financeiras que operam os recursos. O documento apresentado aponta a taxa Selic alta e a não aprovação do Projeto de Lei Orçamentária Anual (Ploa) deste ano como justificativas.

“Estamos saindo de uma safra de soja, entrando em uma safra de inverno [milho e sorgo], e esse produtor precisa do financiamento do Plano Safra 2024/2025. É uma situação preocupante, porque a gente acha que pode comprometer parte do plantio de milho agora no curto prazo em Mato Grosso do Sul”, explicou o secretário.

Verruck ainda detalhou que a aplicação dos recursos com juros mais baixos são essenciais para que os produtores façam uma boa safra.

“O milho, obviamente, já está sendo plantado, mas o produtor precisa de giro. E as instituições financeiras também. Elas estavam autorizadas a fazer esses empréstimos, e essa própria informação da suspensão já manifesta que eles têm que parar de fazer qualquer tipo de operação, ou seja, existe uma paralisação. A gente acredita que, nesse momento, mais de 70% do recurso do Plano Safra de MS já esteja aplicado. Provavelmente faltaria em torno de 30%. Mas como política agrícola, eu acho que a grande preocupação é essa”, reiterou.

A decisão, formalizada pelo Ofício Circular SEI nº 282/2025/MF, foi assinada pelo secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron de Oliveira. Segundo o documento, a medida foi motivada pelo aumento expressivo dos gastos com a equalização das taxas de juros, impulsionado pela alta da Selic, atualmente em 13,25% ao ano.

Com o encarecimento do crédito no mercado, a diferença entre a taxa subsidiada paga pelos produtores e o custo real do dinheiro – somado aos spreads bancários – ampliou-se, elevando os subsídios necessários para manter os juros reduzidos no crédito rural.

“Todo Plano Safra é subvencionado, o que quer dizer juros mais baixos que os de mercado. A partir do momento que não é possível mais contratar [o crédito], a opção desse produtor é ir para juros de mercado, que não são suportáveis pelo agronegócio. Se ele pegar, não vai conseguir pagar e vai ter um problema de inadimplemento”, ressaltou Verruck.

SUSPENSÃO

Ainda de acordo com o documento, a suspensão foi determinada após uma revisão orçamentária conduzida pela Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda. Segundo o órgão, novos parâmetros econômicos indicaram um aumento significativo das despesas com equalização, refletindo a alta dos índices que compõem os custos das linhas de financiamento.

“Em virtude da divulgação da nova grade de parâmetros oficiais pela Secretaria de Política Econômica no início deste mês e em função do recebimento de informações atualizadas sobre a previsão de gastos com o estoque de operações rurais contratadas com equalização de taxas de juros, as estimativas para este ano foram revisadas, resultando em um aumento relevante dos gastos”, informou o documento oficial.

A decisão pode restringir o acesso ao crédito rural, principalmente para médios e grandes produtores, que terão menos opções de financiamento com juros reduzidos. Isso pode afetar investimentos no setor agropecuário e elevar os custos para os produtores.

Até o momento, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) não se pronunciou oficialmente sobre a medida. A solução só deve vir após a aprovação do Ploa 2025, atualmente em tramitação no Congresso Nacional.

“Qual a justificativa do governo federal? Que não foi aprovado ainda o Projeto de Lei Orçamentária Anual 2025, que a gente tem uma expectativa que só seja aprovado depois do Carnaval. Nós já temos que começar a discutir um novo Plano Safra, que com certeza também terá esse problema, porque os juros estão mais altos. Então, daqui a pouco, a gente já está discutindo o plano 2025/2026”, concluiu Verruck em entrevista ao Correio do Estado.

Para o Plano Safra da agropecuária empresarial, tinham sido anunciados R$ 400,59 bilhões. Com a suspensão de agora, linhas como o Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e o Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras (Moderfrota) não estarão mais disponíveis.

Conforme reportagem do Estadão, o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Pedro Lupion (PP-PR), disse que a situação é “culpa de quem não tem responsabilidade com o gasto público”.

A senadora Tereza Cristina (PP), ex-titular do Mapa, criticou a falta de definição para a votação do Ploa. “Realmente, não tem dinheiro. Acabou o dinheiro para financiar um setor que precisa de dinheiro na hora certa, porque se passar da hora, não se produz. É diferente de uma indústria que você vira a chave e ‘ah, vou parar, depois eu ligo de novo’. Não. Passou da época do plantio, acabou. Só no outro ano”, frisou.
SAFRA

A situação é considerada preocupante principalmente pela quebra das últimas safras. Dados disponibilizados pelo Sistema de Informação Geográfica do Agronegócio (Siga-MS) mostram que somente a segunda safra de milho de 2024 amargou uma redução de 40,52% em relação a 2023.

No ciclo 2022/2023, a produção do milho foi de 14,220 milhões de toneladas em MS.

Já na safra 2023/2024 a produção foi de 8,457 milhões de toneladas, uma redução de 5,763 milhões de toneladas. Para o ciclo atual, a projeção é de 10,199 milhões de toneladas.

A área produzida de milho na segunda safra atingiu 2,102 milhões de hectares em 2024, uma queda de 10,7%, ante os 2,355 milhões de hectares colhidos no ciclo anterior.

Para a segunda safra de milho da atual safra, a estimativa é de 2,103 milhões de hectares.

A produtividade média ponderada no ciclo passado foi de 67,05 sacas por hectare (sc/ha), uma redução de 33,37% – ou seja, de 33,59 sc/ha a menos – que no ano anterior, quando foram colhidas 100,64 sc/ha. Na safra atual, a projeção é de produzir 80 sc/ha.

Related posts

IBGE abre inscrições em seleção para 8,2 mil vagas de nível médio

Anaurelino Ramos

Despesas do governo de MS crescem mais do que arrecadação

Anaurelino Ramos

MS mira expansão comercial com franceses, mercado que gera US$ 62 milhões em transações com o Estado

Anaurelino Ramos

Deixe um Comentário