Vale do Ivinhema Agora
Polícia Política

PM que cobra Juliano Ferro na Justiça tem salário de R$ 9 mil, mas mora em mansão

Enquanto defesa quer gratuidade da ação, juiz cita padrão de vida “absolutamente” incompatível

 

https://cdn6.campograndenews.com.br/uploads/noticias/2025/03/24/df573b1604e61f6df66d3ed40d8e450edbe444fa.png

Dodge Ram guinchada até à Delegacia da Polícia Federal em Dourados (Foto: Direto das Ruas).

 

Por Aline dos Santos | Campo Grande News

O policial militar afastado Rodrigo Ferreira da Silva, que move ação contra o prefeito de Ivinhema, Juliano Ferro Barros Donato (PSDB), para cobrar indenização em negócio evolvendo caminhonete Dodge Ram, mostra um cenário contrastante.

O policial militar afastado Rodrigo Ferreira da Silva, que processa o prefeito de Ivinhema, Juliano Ferro, por uma transação envolvendo uma caminhonete Dodge Ram, enfrenta questionamentos sobre seu padrão de vida. Apesar de alegar renda modesta e pedir Justiça gratuita, o juiz negou o pedido, citando o alto padrão de vida do policial, que inclui uma casa de luxo e veículos caros. O caso envolve a compra da caminhonete por R$ 366 mil, que Rodrigo alega ter sido feita sob condições enganosas. O prefeito nega irregularidades e afirma não ter sido notificado do processo.

Ao mesmo tempo em que a defesa do policial pede Justiça gratuita, detalhando que ele tem remuneração pouco superior a dois salários-mínimos, o juiz da 1ª Vara de Ivinhema, Rodrigo Barbosa Sanches, indeferiu a solicitação destacando o bom padrão de vida do PM.

“Por fim, considerando que foi juntado aos autos o procedimento investigativo criminal, que por sinal também tramita neste juízo, torna-se importante mencionar que nele verificou-se que o autor possui um padrão de vida absolutamente incompatível com a importância que ora declara receber”, afirma o magistrado.

De acordo com o Portal da Transparência, o servidor público estadual tem salário de R$ 9.125,41. Alvo da operação Contrafação, realizada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) em 30 de outubro do ano passado, o policial mora em casa de alto padrão, em bairro nobre na região Norte de Dourados.

“Constam fotografias da residência do autor, na qual foi cumprida ordem de busca e apreensão, e nas fotografias (…), verifica-se a presença, além da camionete objeto desta ação, de outro veículo e mais duas motocicletas de alto valor na garagem do mesmo imóvel. Enfim, é óbvio que o autor não possui como única fonte de renda a importância declarada em seu holerite, não havendo qualquer indício de que o recolhimento das custas processuais comprometeria seus gastos pessoais e familiares”, afirma o juiz.

Ao pedir a Justiça gratuita, a defesa destacou que ele não é pessoa abastada de muitas posses, possuindo apenas um imóvel e um veículo reboque.

Mas o juiz também destacou o alto valor do objeto do litigio, no caso, a caminhonete. “O objeto da ação é a anulação de um negócio jurídico, leia-se, aquisição de uma de uma camionete Dodge Ram 2500 Laramie, pelo valor de R$ 366.000,00, realizado em janeiro de 2023, negócio, por si só, absolutamente incompatível para quem declara uma renda líquida mensal de R$ 3.810,68”.

De acordo com o advogado Robson Rodrigo Ferreira de Oliveira, o imóvel foi adquirido mediante financiamento e não se trataria de uma mansão. “É uma casa grande, mas é antiga. Está bem arrumadinha, mas é uma casa muito velha, não tem valor de venda. E ele, que trabalha desde muito cedo, não tem vários imóveis”.

Sobre a caminhonete e motocicleta, a defesa detalha que a esposa de Rodrigo recebeu herança e que essa informação será levada ao poder Judiciário em breve.

A caminhonete – O policial ingressou com processo para anular contrato de compra venda da caminhonete e o bloqueio de R$ 739.200 nas contas do prefeito (valor da caminhonete, mais danos morais pelo abalo psicológico e materiais).

Na ação, o policial relata que em 12 de janeiro de 2023 fez contrato de compra e venda do veículo Dodge Ram 2500 Laramie, de cor branca, ano e modelo de 2018. Segundo Rodrigo, o prefeito informou que a caminhonete se encontrava em processo de inventário.

A transação foi de R$ 366 mil. Sendo o pagamento definido desta forma: o policial entregou uma caminhonete Volkswagen Amarok CD 4X4 Trend, cor cinza, equivalente ao valor de R$ 150 mil.

Além de pagamento de entrada de R$ 66 mil. O saldo remanescente, equivalente a R$ 150 mil deveria ser quitado no período de até um ano, somente após o encerramento do inventário.

Na sequência, após a transferência da Dodge Ram, surge Luan Vinicius Silva Mato, que alegou ser o antigo proprietário e demonstrou o interesse de readquirir a caminhonete.

Então, o policial celebrou compromisso de compra e venda com Luan. O veículo foi adquirido por uma empresa familiar, de propriedade do irmão do comprador. A transação foi de R$ 300 mil. Com pagamento de R$ 120 mil em duas parcelas e a entrega de uma caminhonete Chevrolet S10 LT, de cor preta, avaliada em R$ 180 mil.

Related posts

Assassinato de homem a tiros repercute em Batayporã

Anaurelino Ramos

Trajetórias dedicadas ao ensino são celebradas em sessão solene na Câmara

Anaurelino Ramos

Mais da metade das reeducandas em MS participa de atividades de trabalho no sistema prisional

Anaurelino Ramos

Deixe um Comentário