Encontro reuniu estudos sobre gênero, história, inclusão, mídia, agricultura e políticas públicas, destacando o impacto positivo da ciência nas comunidades
Nos dias 12 e 13 de agosto, Nova Andradina sediou mais uma edição do Ciclo de Debates: Vozes Femininas na Pesquisa e na Inovação, iniciativa itinerante que percorre Mato Grosso do Sul discutindo e fortalecendo o protagonismo feminino na ciência, na inovação e na produção de conhecimento.
Idealizado e coordenado pela professora Dra. Marinete Aparecida Zacharias Rodrigues (UEMS), o projeto integra a pesquisa “Gênero e Ciência: A Participação das Mulheres na Carreira Científica em MS”, financiada pela FUNDECT.
“Fazer ciência é uma possibilidade acessível a todos e deve ser estimulada desde os primeiros anos escolares. Quanto mais cedo incentivarmos crianças e jovens a observar, questionar e buscar soluções, mais fortalecemos a sociedade e promovemos o desenvolvimento de forma sustentável”, afirmou Marinete.

Um panorama de pesquisas que dialogam com a realidade
A edição de Nova Andradina apresentou uma programação ampla e diversificada, com mesas-redondas, rodas de conversa e a socialização de pesquisas que abordam desde questões históricas e culturais até políticas públicas e inovação social. Entre os trabalhos inscritos e apresentados, destacam-se:
Resultados da pesquisa Gênero e ciência e a importância do lugar de fala – Luiz Eduardo dos Santos Pécora
A intenção do cemitério como paisagem, patrimônio e memória – Andressa Alves Moreira
História das mulheres: possibilidades de análise, escrita e desafios do/a historiador/a – Leandro Cordeiro da Silva
Sexualização e vulnerabilização de corpos negros femininos: uma análise das telenovelas da Rede Globo Da Cor do Pecado (2004) e Fina Estampa (2011) – Gabriela Farias Oliveira
Uma aproximação à política de carreira e remuneração docente em Mato Grosso do Sul a partir de artigos científicos – Carolina Luiza Feldkircher Gonzaga
Negociações íntimas de corpos em movimento: narrativas sobre a prostituição de mulheres em Nova Andradina-MS – Mary Celina Ferreira Dias
O acesso e a permanência das estudantes mulheres nos cursos de graduação da UFMS (2013–2020) – Ana Paula Oliveira dos Santos
Mulheres no debate político contemporâneo sobre a Ditadura Cívico-Militar no Brasil – Eduarda Teixeira Correia, Silvana Colombelli Parra Sanches
Educação inclusiva e epistemologias feministas: uma ação de extensão interventiva com estudante autista – Alessandra Bertasi Nascimento
A Comissão de Linhas Telegráficas de Mato Grosso (1900–1906) em relatórios e fotografias – Julia Falgeti Luna
Educação empreendedora como ferramenta de inclusão e empoderamento de mulheres na agricultura familiar – Luanna Biatriz Vieira Xavier, Gislayne da Silva Goulart

Ciência como ferramenta de transformação social
Ao longo da programação, ficou evidente que a ciência, quando conectada às demandas reais da sociedade, pode gerar impactos concretos e positivos. As discussões apontaram caminhos para fortalecer políticas públicas; ampliar oportunidades para mulheres no campo e nas cidades; promover inclusão educacional e social; preservar patrimônio histórico e cultural, e estimular inovação aplicada às necessidades regionais.
“O Vozes Femininas mostra que ciência, pesquisa e inovação não são exclusivas do meio acadêmico — elas podem e devem transformar comunidades”, reforçou Marinete.

Cultura e memória também em destaque
A edição de Nova Andradina também contou com uma visita guiada ao Museu Histórico e Cultural Antônio Joaquim de Moura Andrade, onde está em cartaz a exposição Memórias e Histórias de Mulheres. A mostra celebra as trajetórias de mulheres que marcaram a história do município e é uma iniciativa do Curso de História da UFMS/CPNA, com apoio da FUNDECT e da UFMS, além de parcerias com a FUNAC e o Museu Municipal.
O acervo reúne narrativas de mulheres selecionadas por estudantes de História durante atividades de pesquisa e extensão, destacando contribuições femininas em diferentes áreas ao longo do tempo e promovendo o reconhecimento histórico e social dessas trajetórias.
Com edições já realizadas em Campo Grande, Corumbá e Nova Andradina, o ciclo segue construindo uma rede de pesquisadoras e ampliando o alcance das discussões sobre igualdade de gênero na ciência, integrando saberes acadêmicos, experiências de vida e a valorização da memória coletiva.

