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Política

Investigados por propina via Pix, vereadores comandaram CPI contra corrupção em Sidrolândia

Conforme as investigações, oposição recebia propina para confrontar gestão municipal na época

Adriel Mattos, Thatiana Melo
Da esquerda para a direita: Ademir Gabardo; Cleyton Martins; Adavilton Brandão; Gabriel Autocar; Enelvo Felini Júnior, presidente da Câmara; Otacir Figueiredo — que não é investigado; Cristina Fiúza; e Elieu Vaz. (Foto: Divulgação, CMS)

Cinco vereadores e ex-vereadores investigados pelo Gecoc/MPMS (Grupo Especial de Combate à Corrupção, do Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul) por integrar um esquema de propina via Pix compuseram uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) contra a Prefeitura de Sidrolândia, na época comandada por Vanda Camilo (PP). O bloco de oposição, que era maioria, conseguiu abrir investigação sobre a Operação Tromper, do Gaeco/MPMS.

No início da legislatura 2021-2024, oito parlamentares formaram o G8, grupo contrário à Vanda. Segundo a investigação do Gecoc, eles deram apoio político ao presidente do Hospital Dona Elmíria Silvério Barbosa, Jacob Breure, que era adversário da então prefeita.

Após o esquema de propina ser montado, houve a segunda fase da Operação Tromper, em julho de 2023. Na época, a oposição se organizou para abrir uma CPI para investigar os contratos com indícios de irregularidades.

Sete foram favoráveis. Assim, a comissão ficou com a seguinte composição:

  • Presidente – Enelvo Felini Junior (PSDB);
  • Relator – Cleyton Martins (PSB);
  • Secretário – Ademir Gabardo (Republicanos);
  • Membro – Adavilton Brandão (MDB);
  • Membro – Izaqueu Diniz, o Gabriel Autocar (PSD).

Desse grupo, apenas Cleyton não foi alvo da operação da semana passada. Porém, ele é citado na investigação como beneficiário do esquema. A CPI foi encerrada em outubro de 2023, concluindo que houve improbidade na prefeitura. O grupo defendeu cassar o mandato de Vanda, o que não avançou.

Como era o pagamento de propina em Sidrolândia?

O Gecoc e o Gaeco apontaram que o esquema de propina em Sidrolândia teve origem em uma disputa política em 2021 usando recursos do Hospital Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa para pagar vereadores da legislatura passada e o presidente da entidade, Jacob Breure.

Os promotores destacaram que o conflito entre Vanda e Jacob consistia no fato de a então prefeita querer influenciar a gestão do hospital, contrariando o atual presidente. Assim, ele teria buscado apoio na Câmara Municipal.

“Nesse cenário, aproveitando-se da alocação de R$ 5,4 milhões pelo Governo do Estado para o município de Sidrolândia, destinados ao fortalecimento da saúde pública local, o presidente do hospital, senhor Jacob Breure, articulou, por meio das empresas contratadas Farma Medical e Pharbox Distribuidora, o desvio de parte desses valores públicos para si e para vereadores, a fim de garantir apoio político à sua gestão e neutralizar resistências no âmbito do Poder Executivo”, escreveram os promotores de Justiça Bianka Machado Mendes, Adriano Lobo de Resende e Humberto Lapa Ferri.

Segundo o MPMS, os pagamentos indevidos eram feitos diretamente aos vereadores ou por meio de terceiros. Três pessoas são apontadas como operadores do esquema: Júlio César Alves da Silva; a filha dele, Júlia Carla Nascimento; e a companheira de Júlio César, que não foi alvo da operação.

Esses detalhes da investigação baseiam a decisão judicial que autorizou a operação da semana passada.

Gecoc revela esquema de propina por Pix a políticos e presidente de hospital

A Operação Dirty Pix, do Gecoc/MPMS (Grupo Especial de Combate à Corrupção, do Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul), cumpriu 18 mandados de busca e apreensão em Sidrolândia e Manaus (AM) na última terça-feira, 18 de novembro.

A investigação identificou o desvio de R$ 5,4 milhões em recursos públicos destinados ao Hospital Dona Elmíria Silvério Barbosa. O valor foi repassado pelo Governo do Estado à Prefeitura de Sidrolândia para a compra de um aparelho de ressonância magnética e um autoclave hospitalar.

Porém, parte dessa verba foi desviada pela direção do hospital e pela empresa fornecedora, a Pharbox Distribuidora Farmacêutica de Medicamentos (CNPJ 20.820.379/0001-93). A empresa ainda teria pagado vantagens indevidas a vereadores.

Os pagamentos eram feitos por meio de transferências Pix, diretamente, ou por meio de terceiros, aos parlamentares e ao presidente do hospital, Jacob Breure.

Foram alvos da operação:

  • Cristina Fiúza (MDB), vice-prefeita de Sidrolândia;
  • Enelvo Felini Júnior, secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente;
  • Izaqueu Diniz, o Gabriel Autocar (PSD), vereador;
  • Cledinaldo Cotócio (PSDB), vereador;
  • Adavilton Brandão (MDB), vereador;
  • Jacob Meeuwis Breure, presidente do Hospital Dona Elmíria Silvério Barbosa;
  • Elieu Vaz (PSB), ex-vereador;
  • José Ademir Gabardo (Republicanos), ex-vereador;
  • Júlia Carla Nascimento;
  • Júlio César Alves da Silva;
  • Comercial Gabardo (CNPJ 08.217.980/0001-90);
  • Gabriel Auto Car (CNPJ 19.409.298/0001-16);
  • Farma Medical Distribuidora de Medicamentos e Correlatos (CNPJ  40.273.753/0001-95);
  • Pharbox Distribuidora Farmacêutica de Medicamentos (CNPJ  20.820.379/0001-93).

“Dirty Pix”, termo que dá nome à operação, traduz-se da língua inglesa como “Pix sujo” e faz alusão à natureza ilícita das transferências financeiras utilizadas para viabilizar o esquema.

O advogado de Jacob Breure, Wellison Muchiutti, negou que ele fizesse parte do esquema de propina via Pix. “Não houve Pix na conta. Essa parte da investigação de que a empresa estava pagando vereador não tivemos”, comentou.

Em nota, a Pharbox garantiu ter entregado os dois equipamentos médicos comprados pelo hospital em setembro de 2023.

A empresa alega ainda não ser responsável “pelo que terceiros fazem ou eventualmente fizeram à época, com seus recursos advindos da comissão comercial” e que nenhum pagamento da empresa e da diretora foi feito “a quaisquer dirigentes do referido hospital, tampouco para quaisquer políticos, pessoas citadas, às quais sequer são do nosso conhecimento”.

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