Vale do Ivinhema Agora
Economia

Governo envia projeto para adiar o fim do déficit da previdência

Nova proposta estende até 2065 o pagamento do rombo atuarial e reduz aportes do Estado nos primeiros anos

 

SÚZAN BENITES/Correio do Estado

 

 

O governo de Mato Grosso do Sul quer ampliar em 19 anos o prazo para zerar o deficit atuarial da previdência dos servidores estaduais. O plano em vigor prevê a eliminação do rombo até 2046, mas o Projeto de Lei nº 127/2026, encaminhado pelo Executivo à Assembleia Legislativa, propõe estender o cronograma até 2065, reduzindo os aportes que o Estado terá de fazer nos próximos anos.

A mudança representa um alívio para o caixa estadual no curto prazo, ao diminuir os valores que precisam ser destinados ao Regime Próprio de Previdência Social (MSPrev), embora prolongue por quase duas décadas o período de amortização do passivo previdenciário.

O plano atualmente em vigor foi aprovado em novembro de 2024, por meio da Lei nº 6.339/2024, e passou a produzir efeitos em 2025. A legislação estabeleceu uma sequência de aportes suplementares, recursos que vão além das contribuições patronais obrigatórias, para que o deficit fosse eliminado até 2046.

Pelo cronograma anterior, os aportes chegariam a cerca de R$ 645 milhões anuais e seriam mantidos até o fim do período de amortização.

Neste novo projeto, o governo propõe substituir esse calendário por outro mais longo. No texto enviado à Assembleia, o aporte suplementar previsto para este ano é de R$ 188,1 milhões (R$ 15,7 milhões por mês).

Em 2027, sobe para R$ 293,4 milhões anuais (R$ 24,45 milhões mensais). Em 2028, chega a R$ 396,9 milhões e, em 2029, a R$ 423,8 milhões. A partir de 2030, o valor anual passa a ser de R$ 450,6 milhões (R$ 37,55 milhões mensais), permanecendo nesse patamar até 2065.

A alteração foi motivada pela nova avaliação atuarial do MSPrev. O relatório deste ano aponta deficit atuarial de R$ 6,342 bilhões, valor que passou a ser utilizado como referência pelo projeto de lei. Na mensagem encaminhada à Assembleia, o governador Eduardo Riedel afirma que o relatório “demonstrou redução do deficit para o valor de R$ 6.342.909.340,11”.

Apesar da redução do deficit, a estratégia adotada pelo governo é alongar o período de pagamento. O estudo atuarial elaborado pela Brasilis Consultoria, contratada pela Agência de Previdência Social de Mato Grosso do Sul (Ageprev), apresenta a possibilidade de revisão do plano justamente em razão do novo cálculo.

O parecer aponta que o plano de amortização anterior tinha valor presente de R$ 9,16 bilhões em aportes futuros, acima do deficit atuarial então calculado. Com a nova avaliação, foi possível redesenhar o cronograma de pagamentos.
ALÍVIO

O efeito mais imediato da mudança é a redução do desembolso previsto para os próximos anos. O Estado deixa de seguir uma trajetória de aportes mais elevados para adotar parcelas menores inicialmente, aumentando gradualmente os valores até chegar ao patamar de R$ 450,6 milhões anuais.

O relatório atuarial considera, inclusive, a perspectiva de novas contratações de servidores públicos. Um parecer específico analisou o impacto previdenciário da eventual admissão de 2 mil professores, utilizando como referência as características médias da atual massa de servidores.

A avaliação mostra a dimensão do passivo previdenciário. Na base considerada pelo estudo, havia 31.780 servidores civis ativos, 25.049 aposentados e 5.006 pensionistas. Entre os militares, eram 6.886 ativos, 4.652 inativos e 1.403 pensionistas.

O novo cronograma, portanto, não elimina a necessidade de aportes elevados. A diferença é que o Estado ganha mais tempo para fazer o equacionamento, transferindo parte do esforço financeiro para os anos seguintes.
PROJETO

Para alterar o calendário estabelecido pela Lei nº 6.339/2024, o governo precisa da aprovação dos deputados estaduais. O projeto encaminhado pelo Executivo revisa o plano de amortização e altera dispositivos da legislação previdenciária.

A proposta também autoriza a Secretaria de Estado de Fazenda a confrontar os valores já aportados neste ano com o novo cronograma e compensar eventuais diferenças nos repasses seguintes. A medida considera que os pagamentos são realizados mensalmente e que o novo plano está sendo apreciado durante o exercício.

Na mensagem, Riedel justifica a revisão afirmando que, após análise da Ageprev e do Executivo, foi concluída a necessidade de alteração do plano. O governador também ressalta que o relatório atuarial foi encaminhado ao Ministério da Previdência Social e apresentado ao Conselho Deliberativo da Ageprev.

Além do plano de amortização, o projeto muda a composição dos Conselhos Deliberativo e Fiscal da Ageprev. Cada um passará a ter 12 titulares, incluindo representantes dos Poderes e órgãos estaduais e servidores ativos e aposentados. A justificativa é de adequar a estrutura às regras do Pró-Gestão RPPS.

Na Assembleia, a proposta tramita como Projeto de Lei nº 127/2026, dentro do Processo nº 180/2026. A matéria entrou em tramitação nesta semana e está em primeira discussão, com período de pauta entre 27 de agosto e 2 de setembro.

O ponto central da proposta é duplo: o governo reduz o deficit atuarial calculado para o MSPrev, de um lado, mas, de outro, estica de 2046 para 2065 o prazo para zerar o passivo, diminuindo o esforço financeiro exigido do caixa estadual nos primeiros anos.

 

Related posts

MS cai uma posição, mas permanece entre os dez estados mais competitivos do país

Anaurelino Ramos

Salário mínimo deverá subir para R$ 1.741 em 2027

Anaurelino Ramos

Exportações de carne bovina crescem 42,6% em sete meses

Anaurelino Ramos

Deixe um Comentário