Escritor fronteiriço ocupará a cadeira de número 13

A ASL (Academia Sul-Mato-Grossense de Letras) empossou, neste sábado (22), o escritor Brígido Ibanhes como novo imortal sul-mato-grossense da academia. A solenidade foi realizada na sede da ASL e contou com apresentação cultural de Ruberval Cunha, criador do Improviso Guaicuru.
Brígido Ibanhes é natural de Bela Vista, na fronteira com o Paraguai, e destacou a dualidade dos países em sua vida. “Nasci num país chamado fronteira, e de lá chego trazendo o sapicuá cheio do linguajar fronteiriço”, afirmou. “A fronteira é um país que se estende pelo leito do Rio Apa e une duas comunidades irmãs no sangue originário, e que sempre gerou homens e mulheres do bem, humildes, honestos, valentes, que nunca se entregam aos infortúnios, onde a palavra tem o peso da honra, trabalhadores incansáveis para garantir uma vida digna e de fraternidade”, completou.
O escritor vai ocupar a cadeira de número 13, que anteriormente pertenceu ao Prof. J. Barbosa Rodrigues e a Antônio João Hugo Rodrigues. O presidente da ASL, Henrique de Medeiros, destacou que a trajetória de Brígido “pode ser considerada como a resistência e a vitória de um verdadeiro brasileiro, pela sua história de vida”.

Brígido Ibanhes
O escritor teve grande influência da fronteira na formação de sua identidade e de toda sua trajetória literária e de vida. Brígido Ibanhes é técnico em contabilidade por formação inicial, além de escritor, ativista cultural e defensor dos direitos humanos e da cidadania.
Com a vivência em um ambiente de convergência de linguagens e culturas, o escritor se tornou um atento observador da história, dos mitos populares e das tensões sociais da fronteira. Sua escrita transita entre o jornalismo investigativo, a pesquisa histórica e a ficção, com o costume de recuperar a memória coletiva e dar voz a figuras marginalizadas.
Brígido Ibanhes tem como estilo o regionalismo fronteiriço, caracterizado pelo resgate da tradição oral e mitológica guarani, denúncia política e preservação da memória. Ao longo de sua carreira, foi produtor de contos, memórias e ensaios biográfico-históricos, além de onze livros.
Além disso, o escritor exerceu papel fundamental na consolidação de instituições culturais, tendo sido membro-fundador da ADL (Academia Douradense de Letras) e seu primeiro presidente, durante três mandatos alternados. Atuou também como conselheiro e membro titular do Conselho Municipal de Cultura de Dourados e da Câmara Setorial de Livro, Leitura e Literatura do Fórum Estadual de Cultura de MS, e foi nomeado Cônsul por Dourados (MS) para a organização internacional POETAS DEL MUNDO.


