Após décadas em silêncio, artista contou detalhes da violência e das consequências do crime na juventude
Por Clayton Neves | Campo Grande News
A cantora Roberta Miranda revelou que uma das experiências mais traumáticas de sua vida aconteceu em Campo Grande, durante o período em que morou na Capital. O episódio de violência sexual, que a artista já havia contado, mas sem detalhes, foi abordado em entrevista publicada na última semana.
Aos 69 anos, Roberta relembrou ao Jornal O Globo o período difícil de sua juventude ao falar sobre a própria trajetória. Antes de alcançar o sucesso na música sertaneja, ela disse que saiu de casa aos 14 anos e enfrentou situações de extrema vulnerabilidade.
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Foi em Campo Grande que a cantora, ainda jovem, passou a cantar em uma boate na Capital. Segundo o relato, Roberta foi estuprada por um cliente do estabelecimento e engravidou após o crime.
Cinco meses depois, o mesmo homem teria voltado à casa onde Roberta estava e tentado estuprá-la novamente. Dessa vez, ela reagiu e se defendeu usando uma cadeira de ferro.
“Ele, então, me deu um chute na barriga. Eu me deitei e me lembro de urrar de dor. Quando deu seis horas da manhã, uma amiga buscou ajuda com um farmacêutico, e ele disse que eu havia perdido o bebê.”
O episódio deixou marcas profundas na cantora, que contou ter levado muitos anos para conseguir falar sobre as situações traumáticas que viveu. Ao relembrar o caso, ela afirmou que passou décadas em análise até conseguir lidar melhor com as lembranças.
“Levei muitos anos para contá-la. Eram gavetas fechadas e, quando você as destampa, a vida vira um inferno. Fiz 28 anos de análise para isso e só hoje começo a respirar aliviada.”
Apesar das experiências violentas e das dificuldades enfrentadas na juventude, Roberta Miranda construiu uma carreira de quatro décadas e se tornou um dos grandes nomes femininos da música sertaneja.
Ela afirmou que conseguiu seguir em frente e falou sobre a possibilidade de ter tomado outro caminho diante de tudo o que viveu.
“Poderia ter me tornado a maior serial killer do mundo”, relatou. “Mas, mesmo com todos os problemas, meus pais me ensinaram valores morais e como há caminhos certos e errados na vida. O meu olhar foi para a música. Foi a estrada encontrada para mostrar a eles (a família) o que se tornaria aquilo que jogaram no lixo.”
O relato sobre Campo Grande aparece em meio às lembranças da artista sobre a própria trajetória. Atualmente, Roberta se prepara para comemorar quatro décadas de carreira e revisitar histórias que, segundo ela, estão diretamente ligadas às músicas que gravou ao longo dos anos.

