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Saúde

Com duas mortes em investigação, indígenas representam 80% dos casos de chikungunya em Dourados

As cinco mortes por chikungunya também ocorreram nas aldeias indígenas de Dourados

Lethycia Anjos – Midiamax
Hospital de Campanha em escolaHospital de Campanha na Escola Indígena Tengatui Marangatu. (Divulgação, PrefDourados)

A população indígena de Dourados segue como a principal afetada pela epidemia de chikungunya no município. Dos 1.387 casos confirmados, 1.115 correspondem a indígenas — o que representa cerca de 80% do total. As cinco mortes já registradas também ocorreram em territórios indígenas e duas seguem em investigação.

Dourados abriga a maior reserva indígena urbana do Brasil, com mais de 20 mil habitantes. Nas aldeias Jaguapiru e Bororó, já são mais de 1,1 mil casos confirmados da doença. Além das confirmações, os territórios registram 1.608 casos prováveis, 493 em investigação e 227 atendimentos hospitalares.

Entre os óbitos em investigação, está o de uma criança de 12 anos, que apresentou os primeiros sintomas em 28 de fevereiro. O outro caso é o de uma mulher de 55 anos, com início dos sintomas na quarta-feira (1º). Ambas as vítimas eram indígenas, não possuíam comorbidades e morreram na sexta-feira (3).

Dourados confirma 22 casos em 24 horas

Mutirão de atendimento em Dourados. (Edjalma Borges/Ministério da Saúde)

Somente nas últimas 24 horas, Dourados contabilizou 22 novos casos, elevando o total de confirmações para 1.387. Os dados do boletim epidemiológico divulgado nesta segunda-feira (6) apontam que o município registra 2.690 casos prováveis, sendo que 1.831 seguem em investigação e 528 estão descartados, totalizando 3.746 notificações.

Outro fator de alerta é a taxa de positividade, atualmente em 72%, o que indica que a maioria das pessoas com sintomas testadas tem diagnóstico confirmado para a doença.

A curva de positividade da chikungunya permanece em níveis elevados, variando entre 72% e 79%. Conforme o boletim, apesar de uma leve redução recente, os índices seguem muito acima do considerado adequado em vigilância epidemiológica, ou seja, a epidemia continua ativa e com alta circulação viral.

Em relação às internações, o município registra atualmente 46 pessoas hospitalizadas por suspeita ou confirmação da doença. Os casos incluem indígenas e não indígenas, abrangendo tanto diagnósticos confirmados quanto em investigação.

O que é a chikungunya

Mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya. (Foto: Arquivo Midiamax)

A chikungunya é uma arbovirose causada pelo vírus CHIKV e transmitida pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti infectada. O vírus foi introduzido nas Américas em 2013, quando provocou epidemias em diversos países.

Os sintomas são semelhantes aos da dengue, mas costumam ser mais intensos e duradouros. Febre alta e dores articulares marcantes são características da doença, podendo persistir por mais de 15 dias. Em mais da metade dos casos, as dores nas articulações podem se tornar crônicas e durar anos.

Além disso, a doença pode provocar complicações cardiovasculares, renais, dermatológicas e neurológicas, incluindo encefalite, mielite, síndrome de Guillain-Barré e outras condições graves. Em casos mais severos, pode haver necessidade de internação e risco de morte.

Diante de sintomas, a recomendação é procurar atendimento médico para diagnóstico adequado. Os exames laboratoriais e testes diagnósticos estão disponíveis pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

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