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Região Saúde

Especialistas defendem a aplicação da CoronaVac

O Prefeito de Campo Grande, Marcos Trad (PSD), negocia a compra de 300 mil doses da vacina CoronaVac

Por: Correio do Estado

 

A vacina CoronaVac registrou 50,38% de eficácia global nos testes realizados no Brasil, de acordo com o Instituto Butantan, que desenvolve a vacina contra a Covid-19 em parceria com o laboratório chinês Sinovac. Especialistas afirmam que a vacina é totalmente segura para a população e o primeiro passo para voltarmos à normalidade.

A infectologista e pesquisadora da Fio Cruz, Ana Lúcia Lyrio, explica que a vacina previne complicações causadas pelo novo coronavírus e destaca que o imunizante pode diminuir a intensidade clínica da doença.

“A eficácia de 50,38% significa que se uma pessoa testar positivo para a Covid-19, a vacina evita que ela precise internar ou até mesmo chegar a óbito, a vacina previne complicações do vírus. É importante destacar que ela não protege de infectar, mesmo após a vacinação as pessoas ainda poderão sim contrair o vírus, mas com sintomas leves”, ressaltou a especialista.

O imunizante feito em parceria com a chinesa Sinovac tem uma taxa de eficácia de 78% para casos leves da doença e 100% para casos graves e moderados. O número mínimo recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e também pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é de 50%.

O infectologista, Julio Croda, destaca que o resultado final da CoronaVac está dentro do esperado pelos cientistas e chamou atenção para a eficácia das vacinas dentre os mais diversos tipos de casos de Covid-19.

“A vacina é extremamente segura e deve ser aprovada nos próximos dias, o índice da eficácia global está dentro do esperado. A vacina da gripe, tem eficácia menor que a CoronaVac e todo ano milhares de pessoas tomam”, disse o infectologista.

Ana Lúcia Lyrio reitera que os testes da CoronaVac no Brasil foram feitos em 12.508 voluntários, todos profissionais de saúde que estão na linha de frente do combate ao coronavírus, e que esse é um diferencial da vacina quanto às outras.

“O nosso trabalho de teste aconteceu com profissionais de saúde que estão atuando nas unidades de saúde, com o objetivo de saber se ela realmente funciona com quem vivencia diariamente a rotina dos hospitais, inclusive pessoas acima de 60 anos e foi tudo bem, sem nenhum efeito colateral. As outras vacinas não tinham esse critério na fase de testes, nós não vamos perder pessoas”, frisou a pesquisadora.

VACINA

Na semana passada, o Ministério da Saúde fez um acordo com o Instituto Butantan e comprou todas as doses da CoronaVac, que serão utilizadas no Programa Nacional de Imunização caso ela seja aprovada pela Anvisa.

O Prefeito de Campo Grande, Marcos Trad (PSD), negocia a compra de 300 mil doses da vacina CoronaVac. A estimativa de Trad é concluir as negociações e tentar disponibilizar as doses para a população ainda em janeiro, priorizando a aplicação em profissionais de saúde e idosos.

CONTÁGIO

A pesquisadora Ana Lúcia Lyrio defende a importância da vacinação, mesmo que o imunizante seja motivo de celebração, o fim do coronavírus não virá do dia para a noite e dependerá da continuidade de cuidados básicos.

“Com toda certeza, todas as pessoas devem se vacinar. Ninguém sabe dizer até quando precisaremos usar máscaras, álcool gel, após a vacinação. Várias pessoas estão testando positivo, a segunda onda veio, mesmo com a vacina teremos que nos proteger por um tempo”, disse Lyrio.

O infectologista Julio Croda reforçou que mesmo após a vacinação, o vírus vai continuar transmitindo, sendo necessário continuar adotando as medidas de biossegurança.

“Nenhuma vacina previne o vírus de circular, o objetivo primário de todos esses estudos e a até mesmo da própria vacina CoronaVac é o de prevenir. O cuidado e a colaboração das pessoas precisam continuar”, ressaltou Croda.

A enfermeira Ytala Campos, 35, foi uma das profissionais de saúde a receber a dose experimental da vacina CoronaVac em Campo Grande. A enfermeira espera que toda a atenção ao redor dos testes seja suficiente para conscientizar a população sobre a importância desse momento.

“Eu já estava confiante desde o início da pesquisa, diante de todo esforço que milhares de profissionais tiveram para esse momento estar acontecendo. Fiquei surpresa com o índice de eficácia em casos moderados e graves, estamos no caminho certo. Fico muito feliz por ter contribuído na fase de testes”, destacou a profissional.

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