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Prefeitura de Jateí vai pagar mais de R$ 100 mil à empreiteira por fogueira construída por servidor

Fogueira ainda em execução no Parque de Festa e será queimada  neste domingo (Foto: Anaurelino Ramos) 

A entrega da Moção de Congratulação feita pela Câmara Municipal de Jateí (MS) aos responsáveis pela construção da fogueira de mais de 60 metros de altura — uma das principais atrações da 49ª Festa da Fogueira, que vai ser queimada neste fim de semana no município levantou questionamentos entre a população.

A homenagem, proposta pela vereadora Suzy Manfré (PSDB) e aprovada por unanimidade pelos vereadores, acabou evidenciando quem efetivamente participou da construção da estrutura.

A dúvida que permanece é se a fogueira foi construída pelo servidor público municipal, operador de máquinas, juntamente com uma equipe de apoio composta por seis trabalhadores braçais, ou pela empreiteira contratada pelo município ao custo de R$ 110.300,00.

Como a empreiteira foi contratada?

A contratação ocorreu por meio da Dispensa Eletrônica de Licitação nº 002/2026, vinculada ao Processo Administrativo nº 1024/2026, homologado pela prefeita Cileide Cabral da Silva Brito (PSDB) em 8 de abril de 2026. Como mostra a publicação oficial abaixo.

Veja nessa publicação oficial onde a Prefeitura de compromete de forma legal com a empreiteira

Quem de fato executou a construção da fogueira?

Câmara faz justiça e entrega , seu Francisco Filho e a sua equipe de apoio, o reconhecimento por dias e dias trabalhado para construir a fogueira, na foto o presidente da casa, vereador Robson Monteiro e a vereadora Suzi  Manfré (Foto: Divulgação/Câmara Municipal)

A fogueira, com aproximadamente 60 metros de altura, foi erguida sob a coordenação do servidor público Francisco Raimundo Filho, operador de máquinas do município.

Segundo o próprio servidor, ele foi colocado em período de férias, prática que, conforme relatado, ocorre todos os anos durante a construção da fogueira.

Diante disso, surgem novos questionamentos. Se é o servidor quem coordena e executa os trabalhos, qual seria a justificativa para colocá-lo em férias, considerando que ele continuou atuando na obra e operando máquinas pertencentes ao poder público municipal?

Para a execução dos serviços, Francisco Raimundo contou com o auxílio de seis trabalhadores braçais, conforme informou à reportagem e também em diversas entrevistas concedidas ao longo dos últimos dois meses.

Apoio estrutural

Pá Carregadeira sob responsabilidade da Prefeitura sendo usada para deslocamentos com madeira em serviços que deveria ser da empreiteira (Foto: Anaurelino Ramos)
Exemplo da pá, trator passou quase dois meses a disposição içando madeira para o alto com a ajuda de cordas (Foto: Anaurelino Ramos)

Para concluir o projeto, o servidor e sua equipe utilizaram uma pá carregadeira pertencente ao Governo do Estado e cedida ao município de Jateí, além de um trator operado pelo próprio servidor.

Também foram empregados caminhões e outros equipamentos da Prefeitura para o transporte da lenha e demais materiais utilizados na montagem da estrutura.

Lenha

A lenha utilizada na construção da fogueira foi retirada de uma área florestal pertencente ao Sítio Escola do município e transportada por caminhões da própria Prefeitura.

Pergunta que não quer calar

Se a fogueira foi coordenada e construída pelo servidor, que desempenha essa função há várias edições do evento, utilizando estrutura, equipamentos e apoio do poder público, qual seria a justificativa para a existência do contrato firmado com a empreiteira?

Posição da Prefeitura

Por meio do telefone 0800 da Prefeitura, a reportagem tentou ouvir a prefeita Cileide Cabral da Silva Brito. No entanto, foi informada de que a chefe do Executivo não se encontrava no Paço Municipal, pois estaria em deslocamento para a cidade de Dourados.

O assessor de comunicação também não estava disponível para comentar o assunto.

A reportagem ainda tentou contato com o setor de licitações. Segundo informações recebidas, o responsável não poderia atender naquele momento por estar acompanhando um processo administrativo em outra sala.

Rodrigo, servidor do setor de licitações que atendeu a ligação, informou que, após a conclusão do processo licitatório, a responsabilidade passa para o setor encarregado da execução contratual, no caso, o Gabinete da Prefeita.

O chefe de gabinete também não foi localizado. Dessa forma, não foi possível obter o posicionamento oficial da Prefeitura sobre o assunto.

A reportagem também tentou contato com Francisco Raimundo, apontado como coordenador da construção da fogueira, mas não conseguiu localizá-lo até o fechamento desta matéria. O espaço para que a Prefeitura dê sua versão, e tanto a empresa como o servidor se encontra aberto.

(Vale do Ivinhema Agora)

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