Vendas ao mercado norte-americano caíram 11,7% em 12 meses; 67% dos municípios exportadores do Estado registraram retração, aponta CNM
Súzan Benites/Correio do Estado
As exportações de Mato Grosso do Sul para os Estados Unidos recuaram US$ 82,4 milhões, o equivalente a R$ 774,3 milhões, entre agosto de 2025 e julho de 2026, na comparação com os 12 meses anteriores. A queda de 11,7% no valor comercializado com o mercado americano ocorreu após o início do tarifaço imposto pelo governo dos EUA e atingiu a maior parte dos municípios sul-mato-grossenses que mantêm relações comerciais com o país.
Os dados foram obtidos de um estudo técnico da Confederação Nacional de Municípios (CNM) divulgado esta semana, que avaliou os efeitos das sobretaxas sobre as exportações municipais em todo o Brasil.
O levantamento mostra que 67% dos municípios de Mato Grosso do Sul com vendas registradas aos americanos tiveram redução no valor exportado no período, enquanto 33% apresentaram crescimento.
Conforme o estudo, 27 municípios sul-mato-grossenses exportaram para os Estados Unidos, o equivalente a 35% das cidades do Estado. As vendas estaduais passaram de US$ 703,4 milhões, entre agosto de 2024 e julho de 2025, para US$ 621 milhões, nos 12 meses seguintes. A diferença negativa foi de US$ 82,4 milhões.
A retração no Estado foi inferior à registrada no País, onde as exportações aos americanos caíram 16,2%, saindo de US$ 41,5 bilhões para US$ 34,8 bilhões. Apesar disso, o resultado estadual evidencia a exposição de parte da economia local às mudanças na política comercial americana.
O estudo da CNM aponta a celulose como o principal produto afetado nas exportações de MS. A indicação chama atenção para a cadeia de produtos florestais, que tem participação relevante na economia estadual e está entre os segmentos sujeitos às barreiras comerciais americanas.
O cenário internacional também influencia as perspectivas do setor florestal do Estado. Segundo o presidente da Associação Sul-Mato-Grossense de Produtores e Consumidores de Florestas Plantadas (Reflore-MS), Júnior Ramires, a atividade enfrentou pressões relacionadas ao mercado externo, ao câmbio e aos custos de produção neste ano.
“Do lado do mercado, o primeiro semestre foi de preços da celulose pressionados, real valorizado e custos em alta, sobretudo de fertilizantes e combustíveis, o que apertou as margens em toda a cadeia”, afirma.
Conforme já havia publicado o Correio do Estado, a celulose perdeu espaço para a soja como principal produto exportado por MS este ano.
NACIONAL
Em âmbito nacional, 1.135 municípios tiveram impacto negativo nas exportações para os Estados Unidos após o início das medidas tarifárias. De acordo com a CNM, as perdas acumuladas dessas localidades chegaram a R$ 66,8 bilhões.
O levantamento também identificou dificuldades para compensar a perda do mercado americano com vendas a outros destinos. Entre os municípios afetados, 657 ou 58% registraram redução nas exportações totais, considerando todos os parceiros comerciais. Para a CNM, esse grupo representa a parcela em que a retração das vendas aos EUA não foi compensada pelo crescimento do comércio com outros países.
Ainda no cenário nacional, as maiores perdas nas receitas de exportação se concentraram nas cadeias do petróleo, café, suco de laranja, ferro-gusa e silvicultura. Entre os produtos que permaneceram sujeitos às sobretaxas, cinco registraram, juntos, perdas de aproximadamente US$ 1 bilhão.
Para o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, os efeitos das medidas comerciais podem se prolongar e afetar a atividade econômica, o emprego e a arrecadação dos municípios.
“O protecionismo, as barreiras sanitárias e as tensões geopolíticas globais tendem a gerar efeitos duradouros. Para proteger a arrecadação e garantir a manutenção dos empregos locais, é necessário reduzir a dependência de um único comprador, fortalecendo a diversificação produtiva e comercial no mercado interno e com novos parceiros internacionais”.

