Cantor é apontado pela Polícia Civil como responsável pela logística da organização criminosa, que confessou o furto de cinco caminhonetes em Dourados e Campo Grande; veículos teriam sido levados ao Paraguai.
Welyson Lucas/Correio do Estado
O músico Rodrigo Leonardo da Silva Dias, de 34 anos, foi preso pela Polícia Civil, apontado como responsável pela logística de uma organização criminosa especializada no furto de caminhonetes Toyota Hilux em Mato Grosso do Sul.
Além dele, também foi preso Reginaldo da Silva Barbosa, de 42 anos, natural de Minas Gerais, que, segundo a investigação, confessou participação nos crimes e revelou que a quadrilha furtou pelo menos cinco caminhonetes no Estado, três em Dourados e duas na Capital.
As prisões ocorreram entre a terça-feira (14) e a manhã desta quarta-feira (15), durante uma operação conjunta da Seção de Investigações Gerais (SIG) da Delegacia Regional de Polícia (DRP) de Dourados e da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Furto e Roubo de Veículos (Defurv).
Série de furtos em poucas horas
A investigação ganhou força após uma sequência de furtos de caminhonetes Toyota Hilux registrados em um intervalo de poucas horas na região central de Dourados.
Entre os veículos levados estão:
uma Hilux branca furtada no Jardim Caramuru;
uma Hilux vermelha levada na Rua Antônio de Carvalho;
uma Hilux cinza furtada na Rua Ciro Melo.
Todos os casos foram registrados na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) e apresentavam características semelhantes, indicando a atuação de uma mesma organização criminosa.
A rapidez das ações chamou a atenção dos investigadores e deu início a um trabalho de inteligência que permitiu identificar os suspeitos e reconstruir a dinâmica dos crimes.
Músico fazia a logística da quadrilha
Conforme as investigações, Rodrigo Leonardo da Silva Dias não era o responsável direto por furtar os veículos, mas exercia uma função considerada estratégica para o funcionamento da organização.
Segundo a Polícia Civil, ele utilizava um Chevrolet Corsa para transportar os autores até os locais escolhidos para os furtos, além de dar suporte durante a execução das ações criminosas.
Essa atuação, segundo os investigadores, permitia que os executores chegassem aos pontos de ataque sem levantar suspeitas e facilitava a fuga após o crime. Rodrigo foi localizado e preso em Dourados.
Confissão revelou novos furtos
Já Reginaldo da Silva Barbosa foi preso em Campo Grande quando embarcava em um ônibus com destino a Minas Gerais.
Durante o interrogatório, ele confessou participação no esquema criminoso e afirmou que a quadrilha furtou cinco caminhonetes Toyota Hilux, sendo:
três em Dourados;
duas em Campo Grande.
Após a prisão, ele foi encaminhado para a sede do SIG de Dourados, onde prestou depoimento.
As declarações reforçaram a suspeita de que o grupo atuava de forma organizada e interestadual, com divisão de funções entre os integrantes.
Equipamento burlava sistema eletrônico
As investigações revelaram ainda que a quadrilha utilizava um equipamento eletrônico capaz de destravar portas e dar partida em caminhonetes Toyota Hilux fabricadas até o ano de 2022.
Segundo a Polícia Civil, o dispositivo explora vulnerabilidades presentes nesses modelos e não funciona nas versões mais recentes da picape.
O uso dessa tecnologia permitia que os furtos fossem cometidos em poucos minutos e praticamente sem deixar sinais de arrombamento, dificultando a percepção imediata das vítimas.
A facilidade de execução é um dos fatores que explicam o aumento desse tipo de crime em diferentes regiões do país, especialmente envolvendo caminhonetes de alto valor comercial e ampla aceitação no mercado clandestino.
Destino seria o Paraguai
De acordo com a investigação, todas as caminhonetes furtadas já teriam sido levadas para o Paraguai, onde poderiam ser revendidas, desmontadas para comercialização de peças ou utilizadas com documentação adulterada.
Agora, as equipes do SIG e da Defurv concentram esforços para localizar os veículos, identificar os receptadores e descobrir outros integrantes da organização criminosa.
A Polícia Civil não descarta novas prisões nos próximos dias, já que as investigações continuam em andamento.
Prisão em flagrante
Os dois suspeitos foram autuados em flagrante pelos crimes de furto qualificado e associação criminosa.
A Polícia Civil segue investigando a estrutura da organização e busca esclarecer se o grupo tem ligação com outras ocorrências semelhantes registradas recentemente em Mato Grosso do Sul, especialmente envolvendo caminhonetes Toyota Hilux, um dos veículos mais visados por organizações especializadas nesse tipo de crime.
Confira, no vídeo abaixo, a ação da quadrilha.

