Segundo a investigação, ele repassava informações sobre a rotina da delegacia em Corumbá, enviava fotos de apreensões e documentos e ajudava a transportar drogas da Bolívia para o Brasil.
Por Mirian Machado, g1 MS — Mato Grosso do Sul
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Vigilante da PF é suspeito de enviar fotos de apreensões a grupo que trazia drogas da Bolívia — Foto: Polícia Civil de MS
Um vigilante que trabalhava na Delegacia da Polícia Federal em Corumbá (MS) foi preso nesta quinta-feira (15) suspeito de colaborar com uma organização criminosa que trazia drogas da Bolívia para o Brasil. Segundo a investigação, ele é enteado de um dos chefes do grupo e repassava informações sobre a rotina da unidade policial aos integrantes da organização.
A prisão ocorreu durante a Operação Capolinea, que mobiliza cerca de 100 policiais em Mato Grosso do Sul, São Paulo, Goiás e Minas Gerais. A investigação aponta que o grupo escondia drogas em cargas de minério de ferro e usava diferentes estratégias para transportar os entorpecentes sem levantar suspeitas.
Ao todo, a Justiça expediu 20 mandados de busca e apreensão, 14 de prisão preventiva e sete de prisão temporária. Também foram autorizados o sequestro e o bloqueio de bens que somam R$ 24 milhões.
Vigilante repassava informações de dentro da delegacia
De acordo com a investigação, o vigilante usava o acesso à unidade da Polícia Federal em Corumbá para fornecer informações que poderiam ajudar o grupo a evitar a fiscalização.
Ele teria avisado os integrantes da organização sobre a movimentação de equipes policiais e a situação de pessoas presas na delegacia. Também teria enviado fotos de apreensões de drogas e de documentos produzidos dentro da unidade.
Além de repassar informações, o vigilante é suspeito de guardar drogas na própria casa e de transportar os entorpecentes entre a Bolívia e o Brasil. Conforme a investigação, ele também teria participado do transporte de uma carga apreendida em Três Lagoas (MS), em agosto de 2025.
Na ocasião, foram encontrados 35 quilos de cocaína e 12,5 quilos de maconha escondidos dentro de um pneu.
Grupo escondia drogas em cargas de minério
As investigações apontam que a organização criminosa trazia drogas da Bolívia pela fronteira entre Corumbá e Puerto Quijarro e distribuía os entorpecentes para Mato Grosso do Sul, São Paulo, Goiás e Minas Gerais.
Para transportar as cargas, os investigados aproveitavam o intenso movimento de caminhões que levavam minério de ferro na região. Segundo a apuração, funcionários de mineradoras, entre eles supervisores e operadores de balança, eram aliciados para permitir que os veículos fossem carregados sem fiscalização. Os pagamentos eram feitos por transferências via Pix.
Os investigadores também identificaram outros esconderijos usados pelo grupo, como pneus e tanques de combustível de caminhões, além de cargas de grãos.
No período analisado, a organização teria negociado cerca de 24 toneladas de drogas.
Líder do grupo estava escondido na Bolívia havia seis anos
A investigação começou após a análise de um celular apreendido com um dos principais operadores da organização, que estava escondido na Bolívia.
A partir das informações encontradas no aparelho, os investigadores identificaram o suposto chefe do grupo, descrito pela polícia como um traficante conhecido nacionalmente. Segundo a apuração, ele estava escondido no país vizinho havia cerca de seis anos, depois de ser beneficiado por uma decisão de habeas corpus concedida durante um plantão do Tribunal de Justiça.
A Justiça Federal de Corumbá também autorizou a inclusão de três investigados que vivem no exterior na lista de Difusão Vermelha da Interpol, mecanismo que auxilia na localização de pessoas procuradas internacionalmente.
Os investigados poderão responder por tráfico internacional de drogas e organização criminosa.
O nome da operação, Capolinea, vem do italiano e significa “fim da linha”. Segundo a FICCO/MS, a expressão faz referência tanto ao encerramento das atividades criminosas atribuídas ao principal investigado quanto ao fim da rota de transporte de minério de ferro que teria sido usada pelo grupo.
A operação é conduzida pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Mato Grosso do Sul (FICCO/MS), que reúne diferentes forças de segurança estaduais e federais.

