Parlamentares protocolaram ofício solicitando apuração das interrupções prolongadas e da demora no atendimento pela Energisa; relatos incluem pessoas acamadas há mais de 100 horas sem energia.
As vereadoras Gabriela Delgado e Márcia Lobo, juntamente com o vereador Adelar Belo, protocolaram junto ao Ministério Público Estadual um ofício solicitando apuração e providências quanto às reiteradas interrupções no fornecimento de energia elétrica e à demora no atendimento pela Energisa em Nova Andradina, no Distrito de Nova Casa Verde e nas comunidades rurais.
O documento, datado de 6 de outubro de 2026 e também assinado pelos demais vereadores, reúne reclamações de consumidores e um histórico de cobranças feitas pela Câmara Municipal. A iniciativa busca apoio do Ministério Público para avaliar as condições de atendimento da concessionária e as medidas necessárias para solucionar os problemas relatados.
Ao apresentar a solicitação, Gabriela Delgado destacou que as reclamações envolvem tanto a falta de energia quanto a demora para restabelecer o serviço e a ausência de informações aos consumidores. “Nos últimos dias, temos recebido várias reclamações sobre a falta de energia e, principalmente, sobre o restabelecimento da mesma e a falta de comunicação da empresa com os consumidores”, afirmou.
Adelar Belo chamou a atenção para a situação das famílias que vivem nos assentamentos, nas fazendas e no Distrito de Nova Casa Verde. Segundo o vereador, entre os moradores afetados estão pessoas acamadas que enfrentam períodos superiores a 100 horas sem fornecimento de energia. “Nós entendemos que esse é um período de chuva. Só não entendemos a demora no atendimento à população por parte da empresa Energisa”, declarou. “Nos assentamentos, nas fazendas, no distrito de Casa Verde, no assentamento Casa Verde também, tem, inclusive, pessoas acamadas que já estão há mais de 100 horas sem energia.”
Márcia Lobo ressaltou que as dificuldades enfrentadas pelos consumidores são recorrentes e atingem tanto a zona urbana quanto a zona rural. A vereadora também apontou problemas no diálogo com a concessionária e na obtenção de atendimento às demandas do município. “Essa reclamação não é de agora”, enfatizou. “Nós viemos, mais uma vez, solicitar também a ajuda do Ministério Público para que se tome uma providência contra essa empresa.”
Interrupções comprometem abastecimento de água e produção rural
O ofício encaminhado ao Ministério Público descreve relatos de unidades consumidoras sem energia por mais de 24 e 48 horas, mesmo após o registro de chamados e sucessivas tentativas de atendimento. Entre os casos apresentados está o de um consumidor da zona rural que informou estar há aproximadamente seis dias sem fornecimento.
Segundo o documento, nessa propriedade, a interrupção também comprometeu o abastecimento de água, pois os sistemas de captação e armazenamento dependem de bombas elétricas.
As reclamações citadas abrangem o Assentamento Teijin, o Distrito de Nova Casa Verde, os bairros Portal do Parque e Universitário, além de outras localidades das zonas urbana e rural.
O documento também alerta para os impactos sobre os produtores de leite, que dependem de equipamentos de ordenha e de tanques de resfriamento. A falta prolongada de energia pode comprometer a conservação da produção e provocar prejuízos financeiros, especialmente aos pequenos produtores.
Cobranças anteriores reforçam pedido de providências
Gabriela Delgado destacou que a entrega do ofício representa a continuidade de uma mobilização que já vem ocorrendo há anos. “Desde 2024, vamos fazendo reuniões; em 2025, referente ao atendimento da Energisa, e nós buscamos soluções para a população”, afirmou. A vereadora reforçou que o pedido de apoio não se limita às ocorrências recentes, mas contempla as reclamações constantes sobre os serviços da concessionária.
O ofício registra uma reunião com representantes da Energisa em março de 2025, além da aprovação do Requerimento nº 14/2026, que solicitou esclarecimentos, plano emergencial e informações sobre equipes, investimentos e manutenção preventiva. Também menciona a Moção de Repúdio nº 06/2026, aprovada em 31 de março.
Diante da persistência das reclamações, os vereadores solicitam que o Ministério Público avalie a instauração de procedimento para apurar a frequência e a duração das interrupções, a demora no atendimento, o tempo de resposta das equipes e a capacidade operacional da concessionária.
A solicitação busca assegurar fornecimento de energia com regularidade, continuidade e eficiência, além de atendimento compatível com a gravidade das ocorrências enfrentadas pela população.

