Meta estadual é vacinar 99% do rebanho de MS para começar 2023 com status de livre da doença sem aplicação do imunizante
Em Mato Grosso do Sul, são 16 milhões de cabeças de bovinos e bubalinos que serão vacinadas – MARCELO VICTOR
Ao todo, esta operação de defesa zoossanitária vai custar R$ 226 milhões nacionalmente, dos quais R$ 40 milhões serão gastos pelos pecuaristas sul-mato-grossenses.
Para Mato Grosso do Sul, a data marca a última fase de vacinação contra a doença. A partir de 2023, o Estado conquista o status de livre de aftosa sem vacinação. A nova classificação deve trazer a abertura de novos mercados internacionais e economia ao produtor rural.
O titular da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), Jaime Verruck, destaca que o Estado chegou a 99% de cobertura vacinal em maio, na primeira etapa de imunização. O processo de vacinação é fundamental para que as etapas seguintes ocorram, que vão culminar em uma nova fase.
A ação faz parte da evolução do projeto de ampliação de zonas livres de febre aftosa sem vacinação no País, previstas no Programa Nacional de Vigilância para a Febre Aftosa (PNEFA) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
“Mandamos novamente ao Ministério da Agricultura o posicionamento de Mato Grosso do Sul, da última etapa de vacinação agora em novembro. Porque a ideia continua sendo a certificação em bloco”, disse Verruck.
O bloco IV do plano estratégico (PE-PNEFA) inclui Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Tocantins. O secretário disse que é importante que a retirada ocorra em bloco, para que não hajam barreiras sanitárias.
Entretanto, como Mato Grosso do Sul é um estado fronteiriço, haverá barreiras com Paraguai e Bolívia. “Nós já temos o programa Lobo-Guará, que faz o monitoramento de fronteira e está funcionando muito bem”, destacou Verruck. A fiscalização na fronteira será permanente.
Depois desta etapa, segundo Verruck, Mato Grosso do Sul ficará dois anos sem ter de vacinar os rebanhos bovino e bubalino. Em 2023, o Estado ficará livre da doença sem vacinação.
“Ficaremos dois anos monitorando toda a questão de nós termos o vírus circulante, porque obviamente, como vacinamos, o vírus estará no gado protegendo, como qualquer outro tipo de vacina. Depois disso, entramos na fase de monitoramento das fronteiras e de sorológico do rebanho, então, ficaremos dois anos monitorados”.
Ainda segundo o secretário, o Brasil está se preparando para ter um estoque estratégico de vacinas, evitando futuros problemas.
NOVOS MERCADOS
Para Verruck, o produtor ganha porque acaba com custo de duas vacinações anuais, com destaque para a questão do manejo do rebanho, já que a imunização é realizada individualmente.
“Tem uma redução de custo, mas eu sempre falo que o grande ganho para Mato Grosso do Sul será a entrada em novos mercados. A partir do momento da retirada da vacina, nós [o governo] vamos procurar esses mercados mais sofisticados para ampliar [a relação comercial]”, conclui o secretário.
O presidente da Associação de Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul), Guilherme Bumlai, frisa a economia que o produtor terá a partir de 2023. “Seremos livres e sem vacinação contra a febre aftosa”, disse, ressaltando que os custos do insumo variam entre R$ 36 milhões e R$ 40 milhões anuais, considerando o preço da dose da última etapa, de R$ 2.
“Será uma nova realidade. Declarando o Estado como área livre de aftosa sem vacinação, vamos conseguir atingir mercados internacionais altamente competitivos e que remuneram melhor pelo preço da carne. A cadeia produtiva da carne toda só tem a ganhar”, garante.
Segundo a Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), na região do planalto, a vacinação é obrigatória para todo o rebanho entre os dias 1° e 30 de novembro. O registro da vacinação deverá ser realizado pelo produtor no sistema informatizado da Iagro, por meio do portal GAP, de 1º de novembro a 15 de dezembro.
Já no Pantanal, os optantes pela etapa de novembro devem vacinar todo o rebanho entre o dia 1° de novembro e o dia 15 de dezembro e registrar a vacinação de 1° de novembro a 31 de dezembro. Para ambas regiões, a aquisição da vacina está liberada nas revendas cadastradas desde o dia 27 de outubro, sem a necessidade de emissão de autorização de compra pela Iagro.
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O PE-PNEFA tem como objetivo principal “criar e manter condições sustentáveis para garantir o status de país livre da febre aftosa e ampliar as zonas livres de febre aftosa sem vacinação”.
O plano está fundamentado na avaliação contínua de indicadores que são monitorados regularmente de forma conjunta pelas equipes gestoras do projeto, que reúnem os setores público e privado, em âmbito estadual e nacional.
A meta é que o Brasil se torne totalmente livre de febre aftosa sem vacinação até 2026.O pleito brasileiro para o reconhecimento internacional dos entes federados como zonas livres da doença sem vacinação não será encaminhado para a Organização Mundial da Saúde Animal (OIE) no próximo ano.
Para o reconhecimento como zonas livres de febre aftosa sem vacinação, a OIE exige a suspensão da vacinação contra a febre aftosa e a proibição de ingresso de animais vacinados nos estados e regiões propostas por, pelo menos, 12 meses.
Nesse momento de evolução sanitária da doença, não haverá restrição na movimentação de animais e de produtos entre os estados que terão a vacinação suspensa a partir de 2023 e os demais estados que ainda praticam a vacinação no País.
Atualmente, somente Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Acre, Rondônia e partes do Amazonas e de Mato Grosso têm a certificação internacional de zona livre de febre aftosa sem vacinação.

