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Saúde

Amambai, Batayporã, Douradina e Sete Quedas terão vacinação contra chikungunya em MS

Ao todo, cidades devem receber 14,4 mil doses da vacina

Murilo Medeiros – Midiamax
Morador de Dourados recebendo vacina contra chikungunya. (Foto: Pietra Dorneles, Jornal Midiamax)

O Ministério da Saúde ampliou a vacinação contra chikungunya para Amambai, Batayporã, Douradina e Sete Quedas. Antes, a imunização era restrita a Dourados e Itaporã. Com 14,4 mil doses, a nova etapa deve começar ainda nesta semana.

A epidemia de chikungunya avança, e Mato Grosso do Sul já registra 10.268 casos prováveis apenas nos quatro primeiros meses de 2026. O número equivale a 73% de todo o ano passado, quando foram registrados 14.148 casos. Além disso, 14 sul-mato-grossenses morreram pela doença neste ano.

Os quatro municípios integrados à vacinação enfrentam epidemia da doença. Segundo boletim epidemiológico da SES (Secretaria Estadual de Saúde), Douradina (1.488) e Sete Quedas (1.346,2) lideram o ranking de incidência nos últimos 14 dias. Batayporã (737,5) e Amambai (373,8) também apresentam alta incidência.

Remanejamento de doses

A SES vai remanejar doses inicialmente destinadas ao município de Dourados. A distribuição será feita proporcionalmente à população de cada município, de forma gradual, conforme a utilização das doses. Os imunizantes ficarão armazenados em Dourados, de onde serão retirados pelas equipes municipais.

Vacina contra chikungunya. (Pietra Dorneles, Jornal Midiamax)

A definição dos municípios contemplados nesta etapa foi feita pela Cgarb (Coordenação-Geral de Vigilância de Arboviroses), do Ministério da Saúde, com base em critérios técnicos e epidemiológicos.

“Estamos atuando de forma estratégica para garantir que todas as doses disponíveis sejam utilizadas dentro do prazo adequado, ampliando o acesso à vacinação em municípios definidos pelo Ministério da Saúde”, destaca a coordenadora de Imunização da SES, Ana Paula Goldfinger.

Vacinação contra chikungunya

Em meio à epidemia de chikungunya, Mato Grosso do Sul recebeu do Ministério da Saúde, no dia 16 de abril, 20 mil doses do imunizante. Inicialmente, a estratégia foi direcionada aos municípios de Dourados e Itaporã, com distribuição proporcional ao tamanho da população.

A cidade de Itaporã foi a primeira do Estado a iniciar a vacinação contra a chikungunya. A aplicação começou no dia 18 de abril e, nesta fase, é destinada exclusivamente à população de 18 a 59 anos sem comorbidades. Em Dourados, a vacinação começou no dia 27 de abril e abrange as áreas indígenas e a zona urbana da cidade.

A vacina contra a chikungunya possui esquema de dose única e é indicada para pessoas de 18 a 59 anos. Ela é contraindicada para gestantes, puérperas, pessoas imunocomprometidas ou com doenças crônicas descompensadas, além de indivíduos com histórico de reação alérgica grave a componentes da fórmula.

A vacina contra a chikungunya do Instituto Butantan, única aprovada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), está na fase 4 de monitoramento, etapa que avalia a efetividade em condições reais de uso. O imunizante é aplicado de forma controlada, em estratégia-piloto conduzida pelo Ministério da Saúde em parceria com o Butantan, já em andamento em municípios selecionados de Minas Gerais e São Paulo.

Vacina contra chikungunya. (Foto: Pietra Dorneles, Jornal Midiamax)

Dourados e Itaporã

Desde o início do ano, os casos de chikungunya começaram a explodir nas aldeias Jaguapiru e Bororó, que ficam entre Dourados e Itaporã, onde começou a vacinação. Mais de 20 mil pessoas vivem na Reserva Indígena.

Conforme a Prefeitura de Dourados, 2.420 casos de chikungunya foram confirmados entre indígenas, cerca de um quarto do total de Mato Grosso do Sul. Oito das nove mortes registradas no Estado ocorreram nas aldeias.

epidemia de chikungunya escancarou um problema antigo nas duas aldeias, que formam a maior reserva indígena do país. É comum encontrar caixas d’água abertas em quintais, já que não há água encanada. Além disso, ainda há muita gente que não tem informações suficientes sobre a transmissão da doença.

Em Dourados, a epidemia de chikungunya começou na Reserva Indígena e se espalhou para os bairros rapidamente. Considerando esse cenário, a prefeitura editou decreto declarando situação de calamidade em saúde pública devido à gravidade da epidemia e ao colapso da rede de atendimento.

O governo federal também reconheceu a situação de emergência em Dourados por conta do avanço dos casos. A cidade recebeu mais de R$ 27,5 milhões em recursos federais para medidas de contenção do vírus chikungunya. Além disso, a Força Nacional do SUS (Sistema Único de Saúde) atuou por um mês no município.

Hospital de campanha foi montado em quadra de escola indígena para atender casos confirmados de chikungunya. (Reprodução, Prefeitura de Dourados)

Epicentro nacional da chikungunya

Mato Grosso do Sul lidera todos os números relacionados à chikungunya, em comparação com os outros estados do país, desde o início de 2026.

Com 351,11 casos por 100 mil habitantes, a incidência no Estado é quase 20 vezes maior que a média nacional, de 17,7. Mato Grosso do Sul lidera o ranking de incidência, seguido de Goiás (121,8), Minas Gerais (44,2), Rondônia (40,3), Mato Grosso (21,5), Tocantins (16,6) e Rio Grande do Norte (14).

Em todo o Brasil, são 21 mortes confirmadas, 14 apenas em Mato Grosso do Sul — ou seja, 67% das mortes estão concentradas no Estado.

Chikungunya mata e causa sequelas

A doença é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti e causa dor incapacitante nas articulações, além de febre alta. A orientação principal é procurar um médico imediatamente no primeiro dia de sintomas, principalmente idosos e crianças.

Ao menor início de febre e dor nas articulações de forma súbita, hoje, no nosso Estado, é chikungunya até que se prove o contrário”, afirma a presidente da Sociedade Sul-Mato-Grossense de Infectologia, médica Andyane Tetila, que atua no HU-UFGD (Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados).

Geralmente, o quadro de saúde do paciente com chikungunya começa com a febre entre 38°C e 40°C e dor muito forte nas articulações — popularmente chamadas de ‘juntas’. “O início é bastante súbito; a pessoa dorme bem, mas, no meio da noite, acorda com uma dor bastante importante nas articulações”, diz a infectologista.

Segundo o Ministério da Saúde, o vírus chikungunya também pode causar doença neuroinvasiva, que é caracterizada por agravos neurológicos, tais como: encefalite, mielite, meningoencefalite, síndrome de Guillain-Barré, síndrome cerebelar, paresias, paralisias e neuropatias.

Óbitos são recorrentes nos grupos de risco, que são pessoas em extremos de idade, como bebês e idosos. Além disso, mais de 50% das pessoas que contraem a doença seguem com os sintomas por anos.

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